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17 de julho de 2017

Póvoa e Meadas: placa com testemunhos assinala “túnel” que é o único vestígio do castelo da terra

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Mais um local histórico e emblemático da Póvoa assinalado pela Junta de Freguesia.

Agora foi a vez do túnel, único vestígio que resta do local onde, outrora, se situou o Castelo da vila. Para assinalar devidamente este recanto da nossa história, foi colocada uma placa que apresenta três testemunhos de autores de três séculos sucessivos.Clicar na imagem para ampliar.
Em primeiro lugar um relato do assalto castelhano, em 1642, que levou à evacuação da povoação e à sua, quase, total destruição, episódio também marcado pelo acto heróico do resgate da bandeira, protagonizado pelo do alferes João de Almeida, da companhia de Ordenanças de Tolosa que. então defendia a vila. À época o Castelo e as muralhas deviam estar em bom estado de conservação, tendo em conta que a sua construção não deveria ter mais de dois anos. Por esta descrição não ficamos a saber a dimensão nem a forma do Castelo e das muralhas, mas podemos adivinhar o seu perímetro. O Castelo, ou a Cidadela, para sermos mais precisos, deveria ocupar o espaço em volta da escadaria, bem mais ampla que a actual, que, ainda hoje distingue e eleva o local. De cada um dos seus lados partiria uma muralha. A do lado esquerdo, passando por detrás da actual Casa Fragoso, desceria até à Fonte da Vila, protegendo a Igreja do Mártir Santo e a própria fonte. Aqui se situava a Porta para Castelo de Vide e Meadas. A muralha do lado direito, descia por detrás da actual Rua Nova, até encontrar as traseiras da Rua do Egipto, protegendo a Capela de Nossa Senhora da Graça. Aqui abria-se a Porta para Montalvão.
Esta muralha continuava, depois por detrás das ruas do Egipto e Fonte até ao Ribeiro, onde flectia para a direita, ao longo da sua margem até, depois de nova inflexão à direita, encontrar a outra muralha junto à Fonte da Vila.
Só em 1649, sete anos depois do abandono da vila, começa a sua reconstrução. Nesse ano os habitantes de Castelo de Vide foram obrigados a concorrer para a reconstrução das muralhas e os da Póvoa são obrigados a regressar, sob pena de perderem o direito às suas terras.
Pouco mais de cem anos depois, o padre cura da Póvoa, Xavier Rodrigues Carrilho, dava conta, na sua Memória Paroquial de 1758, do estado da Castelo e muralhas. Por ele, ficamos a saber que o Castelo tinha uma torre e uma prisão e que as muralhas já estavam, em grande parte, demolidas. Uma parte era, certamente a que descia do Castelo até à Igreja de Nossa Senhora da Graça, pois, em 1760, já existia
a Rua Nova. Outra parte devia ser a que, do lado contrário, descia até à Fonte da Vila. Por essa altura já se tinha perdido a noção de Rua Direita, nome que, em tempos, teve o troço da Rua de Baixo que levava directamente (direitamente) à saída da vila.
No início do século XIX, José Maria das Neves Costa, encarregado de observar o estado das fortificações da raia, no âmbito dos preparativos de defesa para a esperada invasão francesa, informava, em 1804, que já não havia sinais das muralhas e que, do Castelo, restava um reducto quadrado com vestígios de ter possuído peças de artilharia nos seus cantos. Acrescentava, no entanto, que o Castelo pouca utilidade terá tido ou teria para suster um ataque vindo do outro lado da fronteira, já que estava mal situado e
virado para o lado contrário.
Hoje resta o túnel, agora assinalado, e cuja justificação se deve ficar a dever a um equilíbrio entre a necessidade de construção e o acesso ao espaço antes ocupado pelo Castelo. © Jorge Rosa/NCV
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